Manaus – A partir desta quinta-feira (9) até o dia 19 de julho, das 09h às 16h, o público amazonense poderá conferir a exposição “Rui Machado: uma trajetória de cores”. Com curadoria da equipe do Museu Amazônico da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), juntamente com Rui Machado, a exposição apresentará a trajetória do artista, por meio de recortes da vida dele, que integram memórias individuais e coletivas.
“Fiquei muito feliz porque eu considero que as melhores homenagens feitas enquanto estamos vivos. E esta exposição é uma trajetória da minha vida artística”, declara Rui Machado.
A mostra traz ao público objetos pessoais: como prêmios, medalhas, capas de CDs e calendários assinados por Rui, além de pinturas icônicas de vários momentos da sua carreira. Parte do acervo arqueológico e etnográfico indígena doado ao Museu Amazônico e bibliográfico também compõem a exposição.

O pré-lançamento da exposição acontece no dia 08 de maio, às 19h, no Museu Amazônico (Rua Ramos Ferreira, nº 1036, Centro) e contará com a presença de convidados e representantes de instituições acadêmicas e culturais do Estado, além do reitor da Ufam, Sylvio Puga.
Para o artista um dos momentos mais marcantes da carreira foi durante a sua primeira exposição, em 1982, no hall do Teatro Amazonas. “Quem fez a apresentação foi o Moacyr Andrade. Eu, mesmo sendo um pintor desconhecido, consegui vender todos os quadros. E de lá para cá, eu não parei mais de produzir”, diz.
Outro parte importante na trajetória do artista aconteceu em 1998 com música que fez ao Boi caprichoso, em parceria com Carlos Portilho. Ele ressalta que foi muito emocionante quando viu metade da arena catando sua música.

“Minha maior inspiração é a Amazônia. Eu vivo rodeado de inspiração. Eu vivo na Amazônia, escrevo Amazônia. Gosto muito de falar sobre sentimentos e o amor é o mais importante no que eu pinto ou escrevo. O outro sentimento é a gratidão e isso eu carrego comigo, por exemplo, na minha primeira exposição quem me ajudou foi o jornalista Carlos Aguiar”, conta.
O artista…
Rui Machado é artista plástico e poeta. Nasceu em Manaus no dia 17 de agosto de 1956. Sua relação com as artes começou cedo, com diversas manifestações, desde desenho e escrita, até esculturas. Sua primeira exposição de artes plásticas foi em 1982, denominada Travessia, no hall do Teatro Amazonas, dentro do Projeto Hahnemann. Já em 1984, ele lançou seu primeiro livro de poesias, intitulado Anjos e Mistérios.
O artista possui, até agora, 24 prêmios e homenagens. Na seara musical, ele tem mais 50 composições, no entanto, recebeu seu primeiro prêmio em 2017, durante o 6º Festival Amazonas de Música. Rui ocupou o 1º Lugar com a música Remando Estrelas, música em parceria com Valdo Cavalcante.

Parte desses prêmios poderá ser vista na exposição, assim também como algumas de suas obras etnográficas e arqueológicas doadas para o Museu Amazônico. Para as museólogas Lucimery Ribeiro e Mayara Monteiro, a decisão de doar suas obras ao museu marca Rui Machado como uma figura lendária na história cultural do Amazonas.
“Rui, ao ceder itens de sua coleção particular ao Museu Amazônico, transforma-os em acervo público. O ato de doação de objetos com significativo valor histórico, artístico e cultural, retoma dois traços importantes na história dos museus: a mudança do acesso privado ao público, e o entendimento da função social do museu”, diz Lucimery.
Acervo bibliográfico
A relação de Rui Machado com a BSMA (Biblioteca Setorial do Museu Amazônico) é antiga. Ainda antes de expor seu trabalho no Museu, ele foi frequentador da Biblioteca e a presenteou com inúmeras publicações relevantes. Neste momento, o artista mostra mais uma vez sua generosidade e afeto pela BSMA, ao doar seu acervo bibliográfico sobre a Amazônia.
São mais de 350 livros, que assim como sua obra, têm uma identidade predominantemente amazônica. Dentre eles estão obras preciosas que vão compor a Série Coleção Especial.
Para a bibliotecária Rosângela Martins, responsável pela Biblioteca do Museu, esta doação será uma valiosa adição ao acervo e se multiplicará através das mentes daqueles que a consultarem.
Fonte : Em Tempo
